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Quantas placas solares eu preciso? Cálculo passo a passo

Por · Publicado em · Leitura de 10 min

Para descobrir quantas placas solares você precisa, divida seu consumo médio mensal por (HSP da sua cidade × 30 × 0,8): o resultado é a potência do sistema em kWp. Depois, divida esse valor pela potência de cada placa e arredonde para cima. Uma casa que gasta 400 kWh por mês em uma região com 5 horas de sol pleno, por exemplo, precisa de cerca de 3,3 kWp, o que dá 7 placas de 550 W.

A seguir está o passo a passo completo, com contas feitas para três consumos diferentes, uma tabela de consulta rápida e os erros que mais fazem o sistema sair grande ou pequeno demais.

Passo 1: encontre seu consumo médio na conta de luz

O número que importa é o consumo em kWh, não o valor em reais. Ele aparece na conta como "consumo", "energia ativa" ou "kWh faturado", e quase toda distribuidora imprime um gráfico ou tabela com o histórico dos últimos 12 meses.

Use a média desses 12 meses. Um mês isolado engana: no verão o ar-condicionado puxa o consumo para cima, no inverno o chuveiro elétrico pesa mais em algumas regiões. Some os 12 valores e divida por 12.

Exemplo de histórico: 380, 410, 450, 470, 420, 360, 340, 350, 370, 390, 400, 460 kWh. Soma: 4.800 kWh. Média: 4.800 ÷ 12 = 400 kWh/mês.

Se você tem dúvida sobre onde fica cada campo, veja o guia como ler a conta de luz para calcular seu sistema solar.

Dica: se você mudou de casa há pouco tempo ou vai comprar um ar-condicionado, um carro elétrico ou uma piscina aquecida, some o consumo extra previsto antes de calcular. Ampliar depois costuma sair mais caro do que acertar o tamanho de primeira.

E o custo de disponibilidade?

Mesmo com energia solar, a conta não zera. Consumidores de baixa tensão pagam um mínimo, o custo de disponibilidade, equivalente a 30 kWh em ligações monofásicas, 50 kWh em bifásicas e 100 kWh em trifásicas, como informam as próprias distribuidoras (a Neoenergia, por exemplo, traz essa tabela em seu material sobre micro e minigeração).

Por isso, alguns projetistas descontam esse mínimo do consumo antes de dimensionar. Uma casa bifásica com média de 400 kWh calcularia o sistema para 350 kWh. É uma escolha válida para quem quer o menor sistema possível. Neste guia usamos o consumo cheio, que deixa uma pequena folga para o aumento natural do consumo e para a degradação das placas ao longo dos anos.

Passo 2: descubra as horas de sol pleno (HSP) da sua cidade

HSP é a quantidade de horas por dia em que o sol entregaria 1.000 W por metro quadrado. Na prática, é a irradiação diária da sua cidade expressa em horas: um local com 5 kWh/m² por dia tem 5 HSP.

Segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar (2ª edição, INPE, 2017), as médias anuais de irradiação global ficam em torno de:

RegiãoMédia anual (kWh/m² por dia)Variação ao longo do ano
Nordeste5,5pequena (±0,5)
Centro-Oeste5,0±0,5
Sudeste5,0±0,5
Norte4,5a menor do país (±0,25)
Sul4,5a maior do país (±1,0)

Esses números são médias regionais e servem para uma primeira estimativa. Para o valor exato do seu endereço, use a ferramenta SunData, do CRESESB (Centro de Referência para Energia Solar e Eólica, ligado ao Cepel). Você informa a latitude e a longitude e ela devolve a irradiação mês a mês, inclusive para placas inclinadas, que costuma ser um pouco maior que a do plano horizontal.

Passo 3: aplique a fórmula do kWp

A fórmula é:

kWp = consumo mensal (kWh) ÷ (HSP × 30 × 0,8)

  • 30 é o número de dias do mês.
  • 0,8 representa 20% de perdas do sistema: calor (a placa rende menos quando esquenta), sujeira, cabos, conversão no inversor e pequenas sombras. É uma margem conservadora usada por boa parte do mercado.

Um atalho: HSP × 30 × 0,8 é o mesmo que HSP × 24. Então, com 5 HSP, cada kWp instalado gera cerca de 120 kWh por mês (5 × 24).

Passo 4: converta kWp em número de placas

Número de placas = kWp × 1.000 ÷ potência da placa (W), arredondando sempre para cima.

Usamos como referência a placa de 550 W, uma das mais vendidas nos kits residenciais. Hoje é comum encontrar módulos entre 550 W e 700 W, e a tecnologia TOPCon vem empurrando as potências para cima. Se o orçamento vier com placas de 610 W ou 700 W, a conta é a mesma: o kWp não muda, só o número de peças diminui.

Calcule quantas placas você precisa com o consumo e a cidade

Três exemplos completos

Exemplo 1: 200 kWh/mês em Porto Alegre (RS)

Casa monofásica de duas pessoas, sem ar-condicionado. HSP de referência para o Sul: 4,5.

  1. kWp = 200 ÷ (4,5 × 30 × 0,8) = 200 ÷ 108 = 1,85 kWp
  2. Placas = 1.850 ÷ 550 = 3,37 → 4 placas de 550 W (2,2 kWp)
  3. Geração estimada: 2,2 × 4,5 × 24 = cerca de 238 kWh/mês

Repare que o arredondamento deixou uma sobra de quase 40 kWh. No Sul isso não é ruim: a variação de irradiação entre verão e inverno é a maior do país, e a sobra do verão vira créditos de energia que ajudam a cobrir os meses de junho e julho.

Exemplo 2: 400 kWh/mês em Belo Horizonte (MG)

Família de quatro pessoas, ligação bifásica, um ar-condicionado. HSP de referência para o Sudeste: 5,0.

  1. kWp = 400 ÷ (5,0 × 24) = 400 ÷ 120 = 3,33 kWp
  2. Placas = 3.330 ÷ 550 = 6,06 → 7 placas de 550 W (3,85 kWp)
  3. Geração estimada: 3,85 × 5,0 × 24 = cerca de 462 kWh/mês

Aqui vale uma conversa com o instalador. Com 6 placas (3,3 kWp), a geração estimada seria de 396 kWh, praticamente o consumo. Se a casa for bifásica e você descontar os 50 kWh do custo de disponibilidade, 6 placas já sobram. Se o consumo tende a crescer, 7 placas dão folga. As duas respostas são defensáveis; o erro seria escolher sem fazer essa conta.

Exemplo 3: 800 kWh/mês em Fortaleza (CE)

Casa grande, trifásica, com três aparelhos de ar-condicionado. HSP de referência para o Nordeste: 5,5.

  1. kWp = 800 ÷ (5,5 × 24) = 800 ÷ 132 = 6,06 kWp
  2. Placas = 6.060 ÷ 550 = 11,02 → 12 placas de 550 W (6,6 kWp)
  3. Geração estimada: 6,6 × 5,5 × 24 = cerca de 871 kWh/mês

Com 11 placas a geração ficaria em 799 kWh, colada no consumo. Como a ligação é trifásica, o mínimo cobrado é de 100 kWh; descontando esse valor, 11 placas atendem com folga. Com placas de 610 W, a mesma potência seria alcançada com 10 módulos (6,1 kWp), economizando espaço no telhado.

Tabela de referência rápida: consumo × placas de 550 W

Valores calculados com a fórmula deste guia (perdas de 20%, mês de 30 dias), arredondando o número de placas para cima. Use como ponto de partida, não como projeto final.

Consumo mensalHSP 4,5 (Sul e Norte)HSP 5,0 (Sudeste e Centro-Oeste)HSP 5,5 (Nordeste)
150 kWh3 placas3 placas3 placas
200 kWh4 placas4 placas3 placas
250 kWh5 placas4 placas4 placas
300 kWh6 placas5 placas5 placas
400 kWh7 placas7 placas6 placas
500 kWh9 placas8 placas7 placas
600 kWh11 placas10 placas9 placas
800 kWh14 placas13 placas12 placas
1.000 kWh17 placas16 placas14 placas

Se você pensa no valor da conta em reais e não no consumo, temos guias específicos para conta de R$ 300, conta de R$ 500 e conta de R$ 1.000, que convertem reais em kWh considerando tarifa e impostos.

Quanto espaço as placas ocupam no telhado

Uma placa de 550 W mede por volta de 2,28 m × 1,13 m. A ficha técnica do módulo KOFV FR 550 MP-HC, da Komeco, por exemplo, informa 2.279 × 1.134 mm e 27,5 kg, ou seja, cerca de 2,6 m² por placa.

Somando o espaçamento entre fileiras, as bordas do telhado e a passagem para manutenção, uma estimativa prática é reservar cerca de 3 m² por placa:

  • 4 placas (exemplo de Porto Alegre): cerca de 12 m²
  • 7 placas (exemplo de Belo Horizonte): cerca de 21 m²
  • 12 placas (exemplo de Fortaleza): cerca de 36 m²

Essa área precisa estar livre de sombra na maior parte do dia e, de preferência, voltada para o norte. Caixas-d'água, platibandas, antenas e árvores do vizinho reduzem a área útil mais do que parece.

Confira se o seu telhado comporta o sistema

Erros comuns no cálculo

Usar a conta de um único mês

Calcular com a conta de dezembro de quem tem ar-condicionado superdimensiona o sistema; calcular com a de um mês de férias faz o contrário. Média de 12 meses, sempre.

Confundir reais com kWh

A fórmula usa energia, não dinheiro. Dividir o valor da conta por um "preço médio" sem considerar impostos, bandeiras e taxa de iluminação pública leva a erros de 20% ou mais.

Esquecer as perdas

Quem calcula sem o fator 0,8 chega a um sistema 20% menor do que o necessário. O resultado aparece na primeira conta depois da instalação.

Usar a HSP de outra cidade

Copiar um número genérico de "5 horas de sol" pode servir para quem está no Sudeste, mas erra para mais no Sul e para menos no sertão nordestino. Consulte o SunData com as coordenadas do seu endereço.

Ignorar sombras e orientação

A fórmula supõe placas bem orientadas e sem sombra. Uma placa voltada para o sul ou sombreada no meio da tarde pode render bem menos, e em sistemas com inversor de string uma sombra parcial afeta o conjunto. Nesses casos, microinversores ou otimizadores podem compensar parte da perda.

Dimensionar muito acima do consumo

Gerar muito mais do que você consome não vira dinheiro: o excedente fica como crédito, que vale por 60 meses, e não pode ser vendido. Pela Lei 14.300, a parcela de Fio B sobre a energia injetada na rede não é compensada (60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028 para quem não tem direito adquirido), o que torna o excedente ainda menos interessante.

Para ver como esses fatores entram em um projeto completo, incluindo escolha do inversor e da estrutura, confira o tema Dimensionamento.

Perguntas frequentes

Quantas placas solares são necessárias para uma casa de 4 pessoas?

Depende do consumo, não do número de pessoas. Uma família de quatro pessoas costuma consumir entre 250 e 450 kWh por mês, o que resulta em 5 a 8 placas de 550 W no Sudeste. Faça a conta com a média da sua conta de luz.

Posso instalar menos placas agora e aumentar depois?

Pode, desde que o inversor tenha capacidade sobrando ou que você aceite trocá-lo ou adicionar outro. A ampliação também exige nova solicitação à distribuidora. Se a ideia é ampliar, avise o instalador no orçamento para ele escolher um inversor com folga.

Placas de maior potência compensam mais?

Elas reduzem o número de peças, o tempo de instalação e a área ocupada, o que ajuda em telhados pequenos. O custo por watt costuma ser parecido. Confira se o inversor aceita a corrente das placas maiores, que é mais alta.

O cálculo muda se a placa ficar em telhado leste-oeste?

Sim. Placas voltadas para leste ou oeste geram, em geral, um pouco menos que as voltadas para o norte. O projetista aplica um fator de correção ou adiciona uma ou duas placas para compensar.

Quantas placas são necessárias para zerar a conta de luz?

Nenhuma quantidade zera a conta. Você sempre paga o custo de disponibilidade ou a parcela não compensada do Fio B, além da contribuição de iluminação pública. O objetivo realista é reduzir a conta ao mínimo possível.

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Ver todos os guias de Dimensionamento →